sábado, 16 de abril de 2011

Materialidade do imaterial

Qual o peso do tempo?Qual a materialidade das horas?Qual a massa dos segundos?Há algum tempo,vivia o eternamente, hoje, exerço instante. Não se conhece o tempo a não ser através do corpo,da pele e das sensações. Triste daqueles que vivem dias sem corpo. Os seres mentais,os que buscam sentido íntimo em coisas que não têm sentido íntimo nenhum.

Em todo abraço, gero uma despedida repleta de um silêncio saboroso. Silêncio tem gosto?Palavra tem gosto?Em todo momento sinto que posso acabar. Para ser sincero,eu acabo em todo momento. Não sou um moribundo,sou alguém que gosta de morrer. Cansei de ter esperança,cansei de esperar por esperança. A despedida não é triste, muito menos rancorosa. Ela é um adeus a um instante, para que em outras instâncias um outro instante se faça.

Domino o mundo através da minha pele. Vem querida dar-me teu beijo, vem querido dar-me teu abraço... Ofereço-me e desfaço-me em meio a palavras multicoloridas e silêncios amorosos. O mais importante,talvez,seja o que cala.

Marco Vasconcelos

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